Certa vez, em um certo caminho, achei um esqueleto no meio do meu caminho. Na hora nem dei muita importância pra tal imagem largada no chão, mas de alguma forma, quando continuei a andar, o esqueleto se enganchou na minha roupa e chegou as minhas costas da forma mais sobrenatural possível. Confesso que fiquei com medo, mas gostei do mistério e quando vi já tinha me apaixonado pelo corpo "sem vida" que muitos julgavam sem valor algum. Passado alguns dias, quando dei por mim a caveira tinha me abandonado... Tão misterioso foi o seu sumiço quanto seu aparecimento... Eu chorava de saudade. Sofria pela sua falta e pelo seu fantasma que vez ou outra me aparecia e me fazia lembrar o tempo que passei com o esqueleto. Mas mesmo assim, fui forte e aos trancos e barrancos continuava a andar. Triste, mas continuava.
Com o passar do tempo cansei do meu caminho e resolvi trilhar por outra estrada e olha só, por essa outra rota achei um novo esqueleto, que em nada parecia com o outro, a não ser pelo ar de mistério - o que sempre me fascina. A caveira, como a outra chegou até as minhas costas, essa muito mais rápida do que a outra. Achei seu sua atitude bonita e sincera e mais uma vez me apaixonei por um monte de ossos. Não passaram muitos dias, e a caveira #2 me trocou por uma flor que tinha na beira de um rio. Senti-me mal, fraco, traído, mas mesmo assim eu tinha que prosseguir, e continuei a andar como continuo até hoje. O que mudou na minha vida desde então? Bem, não tenho mais paz. Tenho dois fantasmas que me rondam e vez ou outra me surpreendem - pra não dizer que me assustam. E o pior de tudo é que ainda posso sentir o peso dos esqueletos nas minhas costas. Sempre.
Agora vou dar boa noite a lágrima que escorreu pelo meu rosto, dar adeus ao sorriso que se foi e repousar na tortura que se chama lembrança.
Dedico o texto as duas pessoas que gostei de verdade.
Meu nome é marca.
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